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Número de processadores: a nova nomenclatura da Intel

Introdução

Os processadores evoluem tanto que usar o clock interno (por exemplo, Pentium 4 de 2.8 GHz) como único indicador de desempenho está deixando de ser uma prática, afinal, o que determina a eficiência de um chip é um conjunto de características e não apenas uma. Ciente disso, a AMD passou a adotar a nomenclatura PR (Performance Reference) a partir do processador Athlon XP para indicar o desempenho de seus chips (embora esse esquema esteja mais para um comparativo com os produtos da Intel). Agora, é a Intel que adotou um modelo de nomenclatura diferente e que você conhecerá nas próximas linhas.

Clock interno, clock externo e cache

Antes de dar seqüência a este artigo, é necessário que você saiba o que é clock interno, clock externo e cache, pois estas são as características mais importantes de um processador:

Clock interno: o clock é uma forma de indicar o número de instruções que podem ser executadas a cada segundo. Sua medição é feita em Hz. O clock interno indica a freqüência na qual o processador trabalha. Portanto, se ele trabalha a 800 MHz, sua capacidade é de 800 milhões de operações de ciclo por segundo. O clock interno geralmente é obtido através de um multiplicador do clock externo. Por exemplo, se o clock externo for de 66 MHz, o multiplicador terá de ser de 3x para fazer com o que processador funcione a 200 MHz (66 x 3);

Clock externo: também conhecido como FSB (Front Side Bus), o clock externo, por sua vez, é o que indica a freqüência de trabalho do barramento (conhecido como barramento externo) de comunicação com a placa-mãe (na verdade, chipset, memória, etc). Por exemplo, o processador Pentium Extreme Edition 840 trabalha com clock externo de 800 MHz;

Cache L1 (Leve 1 - Nível 1 ou cache interno): a memória cache consiste numa pequena quantidade de memória incluída no processador. Quando este precisa ler dados na memória RAM, um circuito especial, chamado Controlador de Cache, transfere os dados mais requisitados da RAM para a memória cache. Assim, no próximo acesso do processador, este consultará a memória cache, que é bem mais rápida, permitindo o processamento de dados de maneira mais eficiente. Quando fala-se "cache L1" referencia-se a memória cache que vem dentro do processador;

Cache L2 (Level 2 - Nível 2 ou cache externo): o cache L1 não se mostrava suficiente. Uma solução foi a implantação de uma memória cache fora do processador: o cache L2 que, para ser usado, necessita de um controlador, que geralmente é embutido no chipset da placa-mãe. Atualmente, os processadores trazem o cache L2 embutido dentro de si, fazendo com que as terminologias "interno" e "externo" percam o sentido.

É importante frisar que a Intel costuma chamar o clock interno apenas de "clock" e o clock externo de "barramento frontal".

Número de processadores

A partir de processadores lançados em meados de 2004, a Intel passou a usar o esquema de "Números de Processadores" para identifica seus chips. Até então, a empresa adotava como único parâmetro de desempenho o valor da freqüência interna de seus processadores, por exemplo, Pentium 4 de 2.8 GHz e Celeron de 1.8 GHz. Na verdade, a Intel usava um ou outro parâmetro em determinados modelos, como aqueles equipados com a tecnologia Hyper-Threading (tecnologia que aumenta significantemente o desempenho do processamento) que, por isso, recebiam a sigla HT em seu nome.

De acordo com a Intel, outros parâmetros também precisam ser considerados na escolha de um processador e não somente a velocidade de seu clock interno: arquitetura, cache, clock externo e outras tecnologias. Na verdade, usuários mais experientes geralmente checam esses aspectos no momento da compra, mas para muitos, o fato de saber que está comprando "um Pentium 4 com velocidade de 3.2 GHz" é o único quesito considerado. Usando números, a Intel afirma facilitar o acesso das especificações dos recursos de cada processador e assim o usuário pode compará-los entre si e tomar uma decisão mais rápida e precisa.

Como o uso de computadores é aplicado a várias necessidades, a Intel espera que com o uso de numeração os usuários distingam mais facilmente para qual segmento um determinado chip é destinado. Por exemplo, o processador de número x é direcionado ao uso em escritório e o processador y à aplicações multimídia.

Entendendo os números dos processadores

A imagem abaixo mostra o esquema de numeração dos processadores, que é composto pelo nome da linha do processador mais uma seqüência de 3 dígitos:

O fato de um número ser maior que outro não indica necessariamente que o primeiro processador é melhor, mas sim que ele contém recursos ou arquitetura diferente. Assim, dentro de uma mesma linha de processadores, numerações diferentes indicam que um chip pode ter mais recursos ou usar uma tecnologia nova, por exemplo, ter mais cache ou usar um sistema de redução de temperatura.

Segundo a Intel, o esquema de numeração entre processadores deve ser aplicado na distinção de recursos existentes em uma família de processadores. O primeiro dígito do número é associado a uma determinada linha e os outros dois indicam as diferenças. Como exemplo, veja a tabela abaixo:

Processador
Dígito
Pentium Extreme Edition
8xx
Pentium M
7xx
Celeron M
3xx

Vamos analisar dois exemplos:

1 - a seqüência 6xx é usada nos processadores Pentium 4 com a tecnologia Hyper-Threading. Assim, abaixo, são mostrados três modelos dessa família. Veja suas diferenças:

Processador
Clock interno Clock externo Cache
Pentium 4 HT 660
3.6 GHz 800 MHz 2 MB
Pentium 4 HT 650
3.4 GHz 800 MHz 2 MB
Pentium 4 HT 640
3.2 GHz 800 MHz 2 MB

2 - a seqüência 7xx é usada nos processadores Pentium M (linha voltada a notebooks). Abaixo são mostrados cinco modelos dessa linha:

Processador
Clock interno Clock externo Cache
Pentium M 770 2.13 GHz 533 MHz 2 MB
Pentium M 765 2.1 GHz 400 MHz 2 MB
Pentium M 735 1.7 GHz 400 MHz 2 MB
Pentium M 730 1.6 GHz 533 MHz 2 MB
Pentium M 718 1.3 GHz 400 MHz 1 MB

Repare que no exemplo 1, a única diferença entre os modelos citados é a velocidade do clock interno. No exemplo 2, é possível notar que os modelos 735 e 730 têm desempenho semelhante. Note que se somente o clock interno fosse usado para indicação de desempenho, haveria uma noção vaga, porque embora o modelo 735 opere em 1.7 GHz, seu clock externo funciona a 400 MHz, enquanto que o modelo 730, que trabalha em 1.6 GHz no clock interno, possui clock externo de 533 MHz.

Finalizando

Usar apenas o clock interno como indicativo de desempenho é, de fato, dar uma idéia muito vaga do processador. Pode-se ter modelos da mesma família com o mesmo clock, só que com cache ou outros recursos diferentes. Assim, é necessário ter algum meio de identificar essas diferenças. Ainda não dá para saber se esse esquema adotado pela Intel será aceito, mas já é uma tentativa.

Para que você possa diferenciar cada modelo, é necessário visitar o site da Intel e procurar uma tabela comparativa para a família de processadores de seu interesse. Nesse mesmo endereço é possível obter mais informações sobre o esquema de numeração de processadores.




Escrito por Emerson Alecrim - Publicado em 15/05/2005 - Atualizado em 15/05/2005

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