Lá estava eu, trabalhando, quando um velho conhecido me ligou no celular, me pedindo para verificar seu computador. Neguei inicialmente, já que não faço mais esse tipo de trabalho, mas ele argumentou que era urgente, então aceitei, por tê-lo em alta estima.
Ao chegar lá, resolvi o problema em menos de 5 minutos: assim que ligada, a máquina exibia na tela uma mensagem pedindo para pressionar F1 para acessar o setup do BIOS ou F2 para carregar as configurações padrão. Como ele havia me detalhado esse problema ao telefone, o instruí a pressionar F2 e providenciei uma bateria nova antes de chegar em sua casa.
Lá, ele me relatou que tinha levado o computador a uma assistência técnica perto de sua residência, e o técnico que o atendeu informou que era necessário trocar a placa de vídeo. Um verdadeiro absurdo! Quem é técnico sabe que esse é um problema muito comum e fácil de resolver. A assistência queria lhe passar um golpe!
A partir disso, comecei a pensar sobre o assunto e, fazendo uma rápida pesquisa na internet, descobri muitos casos semelhantes (além de ler e-mails que leitores já enviaram ao InfoWester pedindo orientações sobre casos do tipo).
| Caso absurdo: um dos técnicos dos quais conversei me contou um caso recente, onde uma estudante instalou um programa e, após isso, a placa de som não funcionou mais. O técnico que ela acionou não conseguiu resolver o problema e sugeriu a troca da placa. A estudante achou a explicação dele vaga, então procurou o técnico que me relatou essa história. Segundo ele, o problema foi rapidamente resolvido com uma reinstalação de drivers. Das duas, uma: o técnico tinha pouco conhecimento ou estava agindo de má fé. |
Decidi então fazer um teste: peguei um computador antigo que tenho, instalei um flat cable de 40 vias danificado para ligar o HD à placa-mãe, fazendo com que o dispositivo não fosse identificado e, com ajuda desse meu colega, levei a máquina a duas assistências técnicas:
A primeira - informou que o HD estava com problema e necessitava de troca. Argumentei que tinha testado o HD em outra máquina e o dispositivo funcionou normalmente. Alegaram então que o mesmo teste havia sido feito por eles e constataram que o HD realmente estava danificado;
A segunda: identificou o problema corretamente, mas queria cobrar 30 reais pelo cabo mais a mão-de-obra! Cabos do tipo são encontrados por menos de 10 reais em lojas especializadas.
Fui mais longe nessa pesquisa e conversei com alguns amigos que trabalham na área. Todos foram unânimes em dizer que há muitos clientes que podem ser enganados facilmente. No geral, não há "fórmula mágica" para identificar serviços técnicos desonestos, mas alguns cuidados podem ajudar a prevenir alguns golpes. Vejamos:
:: Embora isso dê trabalho, leve o equipamento a mais de um serviço técnico. Para isso, prefira aqueles que dão orçamentos sem compromisso. Compare o diagnóstico dado por cada serviço. Se notar diferenças, procure um terceiro;
:: Quando um técnico disser que uma determinada peça precisa ser trocada, exija que ele entregue a você a que está supostamente danificada. Veja bem, se você está comprando uma peça nova para substituição, a antiga continua sendo sua. Se o técnico se negar a entregá-la, vá atrás de seus direitos;
:: Cuidado com certos golpes óbvios: há técnicos que dizem que é necessário trocar um componente - um HD, por exemplo - por este estar contaminado com vírus. Quando há vírus, este ataca o sistema operacional. Vírus não atacam o hardware;
:: Tome cuidado com serviços muito baratos. Embora um técnico que cobre pouco por seu trabalho possa ser honesto, é comum, nestes casos, que ele não possua os conhecimentos técnicos necessários para prestar um serviço de boa qualidade. É a velha história: o barato pode sair caro;
:: Procure sempre saber a configuração do computador, pois não são raros os casos em que um técnico faz um reparo e troca um dispositivo por outro de menor qualidade sabendo que o cliente não notará a diferença. Caso você tenha dificuldades em obter essas informações, pode utilizar um programa como o Everest (para Windows) e imprimir a configuração que ele listar. Assim, quando você encaminhar sua máquina a um serviço técnico, basta executar o programa novamente quando o PC retornar e verificar se há diferença onde o técnico não apontou alterações;
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Caso absurdo: cliente pede a uma assistência
técnica a instalação de um gravador de DVD. Ao retirar
o equipamento, percebe que o drive de CD-ROM que existia na máquina
(e que era para ser mantido) foi trocado por um mais antigo. Ao questionar
o técnico responsável, este alegou que o CD-ROM anterior
era incompatível com o gravador de DVD, de forma que somente um
ou outro poderia ficar na máquina.
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:: Sempre que possível, procure auxílio de uma pessoa com conhecimentos sobre o assunto. Ela poderá indicar-lhe assistências técnicas ou técnicos confiáveis, e pode dizer se o problema apontado é coerente;
:: Conheça um pouco mais seu computador, isso diminui as chances de "te passarem a perna". Este artigo é um bom início.
Se você é um técnico e pensa que agir com má fé é um bom negócio, é melhor rever seus conceitos: se um técnico honesto informar a um cliente que este foi enganado anteriormente, o técnico desonesto ficará mal-visto.
Técnicos honestos são sempre indicados por pessoas que já conhecem seus serviços. Por isso, é sempre bom explicar ao cliente o que, de fato, houve com seu computador e por qual razão a solução que você propõe deve ser aplicada.
O que técnico e cliente precisam é de uma relação de confiança. Como cliente, uma pessoa quer que seu computador funcione da melhor maneira possível. Se o técnico for ágil em resolver seu problema, explicar o que aconteceu e fornecer orientações para evitar que aquilo ocorra novamente, terá mais chances de ganhar clientes e manter aqueles que já possui.
Infelizmente, desonestidade é um problema crônico, em qualquer lugar do mundo. Você pode ser enganado por um mecânico de carros, por um eletricista, por um encanador, por um vendedor, etc, mas na informática essa questão parece ser pior. Por isso, todo cuidado é pouco. Sempre.
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Emerson Alecrim, em 28/05/2006.
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