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Combate ao SPAM prejudica internautas

Um dos grandes vilões da internet, sem dúvida, é o SPAM. Esse é o nome dado às mensagens não solicitadas que chegam ao seu endereço de e-mail. A quantidade dessas mensagens é tão grande, que muitos provedores estão tomando medidas para combatê-las e evitar sobrecarga em seus servidores. O problema é que, em muitos casos, a solução implantada não é eficiente e/ou não foi devidamente configurada. Como conseqüência, o usuário acaba sendo prejudicado.

As soluções usadas por provedores no combate ao SPAM são filtros ou sistemas que analisam a mensagem que chegou a um determinado usuário e, com base em regras ou em verificações de determinados itens, tentam determinar se aquele e-mail é SPAM ou não. A questão é que muitos filtros ou sistemas classificam como SPAM uma mensagem verdadeira ou permitem a passagem de um e-mail que realmente era SPAM. Nesse último caso, até que não se trata de um problema tão ruim, afinal, nenhum filtro é 100% eficaz. No entanto, deixar de receber uma mensagem verdadeira é o maior problema.

Recentemente, um colega pediu para que eu lhe enviasse um convite para o Gmail, um serviço de e-mail do Google que oferece um 1 GB de espaço. Enviei o convite ao seu e-mail e, tempos depois, ele o cobrou de mim. Decidi enviar-lhe outro convite. Quando perguntei se ele o havia recebido, a resposta foi negativa. Pedi a ele que verificasse se em seu webmail, havia alguma pasta para SPAM. Ele checou e confirmou a existência de um diretório para esse fim. Lá estavam os dois convites que eu lhe havia enviado. Como esse colega usa um programa para recebimentos de e-mails, ele nem imaginava que os convites haviam ficado isolados numa pasta no webmail do serviço.

A maioria dos sistemas de e-mail com soluções anti-spam tem uma pasta dessas. Pelo menos assim, o usuário pode ver o que foi direcionado a esses diretórios. No entanto, em muitos casos, a mensagem nem chega e retorna ao emissor.

Como exemplo, um outro fato que ocorreu comigo: uma colega me pediu auxílio para encontrar um determinado material que abordava questões sexuais, mas do ponto de vista psicológico. Encontrei um texto muito bom e o enviei ao seu e-mail. No dia seguinte, quando acessei meu correio eletrônico, havia uma mensagem que informava que o e-mail que enviei à minha colega foi rejeitado (Rejected content - conteúdo rejeitado) pelo servidor. Cheguei à conclusão de que o filtro anti-spam do serviço rejeitou a mensagem por esta conter palavras ligadas ao assunto "sexo". Muitos SPAMs têm conteúdo pornográfico e, por isso, há filtros que tentam encontrar palavras relacionadas. Porém, como mostrou o exemplo, nem toda mensagem sobre isso é maliciosa.

Um fato pior ocorre aqui no InfoWester, com a newsletter Boletim AntiVírus. Muitas mensagens não são aprovadas pelo filtro anti-spam e retornam. Acabo tendo que tomar uma série de ações para tentar amenizar os efeitos do problema. Mesmo assim, em média, 5% dos assinantes acabam não recebendo as mensagens. Em conversa com outros webmasters, descobri que muitos também enfrentam o mesmo transtorno. No final das contas, o usuário acaba sendo prejudicado porque não recebeu algo que lhe interessava.

Em alguns serviços de e-mail, o próprio usuário pode evitar transtornos. É caso do anti-spam do UOL. Se o internauta habilitá-lo, toda mensagem cujo remetente não estiver incluído na lista de autorização do serviço, deverá ser confirmada pelo emissor. Para isso, o sistema emite um e-mail a esta pessoa contendo um link com os procedimentos necessários para a confirmação. Não tem coisa mais chata do que enviar um e-mail a alguém e horas depois você constatar que deve confirmar que, de fato, você enviou a mensagem...

O problema do SPAM está longe de ser resolvido. Se soluções novas de combate são criadas, os spammers (as pessoas que enviam SPAM) sempre inventam um meio de burlá-las. Há sistemas anti-spam que são satisfatórios. Mas, é necessário que tais ferramentas sejam devidamente configuradas. Muitos provedores implementam filtros anti-spam e não fazem os ajustes necessários. As conseqüências já foram mostradas nos casos acima.

Como dificilmente essa questão será resolvida, aqui, no InfoWester, foram feitos testes com os e-mails gratuitos mais conhecidos. Os que apresentaram resultados satisfatórios foram: Yahoo, Gmail, Hotmail, BOL e IG. Esses testes foram realizados com e-mails ativos e consistiram no envio de edições do Boletim AntiVírus e no envio de mensagens que foram confundidas com SPAM em situações anteriores. Os serviços citados não cometeram engano nos testes. É importante frisar que essa avaliação teve como foco verificar se os sistemas de e-mail consideraram como SPAM mensagens verdadeiras. Como não enviamos SPAM, não pudemos avaliar a eficiência na detecção dos mesmos.

Pois bem, fatos assim nos fazem pensar se é melhor evitar o uso de filtros anti-spam para não correr o risco de perder mensagens verdadeiras. Se evitar for a opção escolhida, o efeito colateral pode ser o aumento no número de mensagens não solicitadas. Pelo jeito, parece que, por enquanto, a melhor coisa a fazer é ter uma boa dose de paciência ou usar um serviço de e-mail que não dê tantos problemas...

Link relacionado: Dicas para evitar SPAMs.

Emerson Alecrim, em 27/02/2005.

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