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Mozilla Firefox: a hora do pesadelo... da Microsoft!

Parte 1

Campanha  FirefoxPara a maioria dos usuários da internet, principalmente aqueles que não exercem atividades profissionais ligadas à computação, o uso do navegador Internet Explorer é um padrão, tal como se fosse o único meio de acesso a sites. Talvez, muitos já tenham ouvido falar a respeito de browsers alternativos, mas usá-los significaria algum tipo de transtorno, afinal o costume com o Internet Explorer é algo cômodo.

Esse domínio quase que absoluto, permitiu à Microsoft fazer o que bem entendesse com o Internet Explorer, como desenvolver recursos funcionais a ele sem seguir os padrões da Web. Além disso, o Internet Explorer, em sua atual versão (6.0), é considerado um software parado no tempo. Não conta com recursos básicos, como continuar um download de onde parou ou bloquear janelas pop-up. Esse último recurso passou a estar disponível no pacote Service Pack 2 para o Windows XP. E quanto as outras versões do Windows?

O problema mais grave, no entanto, é o fato do Internet Explorer ser um "queijo suíço", ou seja, estar cheio de falhas de segurança. Isso é algo que pode acontecer com qualquer software, seja ele de código proprietário, seja ele de código aberto. O agravante é o tratamento que a Microsoft dá para o assunto: muitas vezes a empresa demora para lançar correções e estas nem sempre eliminam o problema de forma definitiva. No final das contas, o usuário pode pensar que está livre do problema ao aplicar uma determinada correção quando, na verdade, não está.

Isso pode até parecer exagero, mas alguns especialistas no assunto dizem que a Microsoft retarda as inovações do Internet Explorer para evitar que novas aplicações sejam desenvolvidas, como usar um editor de textos disponível na internet sem a necessidade de ter o Word instalado no computador.

Enquanto isso, usuários de Linux ou que, de alguma forma, usam um navegador de internet alternativo, são obrigados a agüentar os transtornos de determinados sites que só funcionam bem se visualizados no Internet Explorer. Ignorados, menosprezados e talvez esquecidos, essas pessoas sempre mostram que não devem ser subestimadas (como a Microsoft aparenta fazer) e no caso do problema dos navegadores de internet, a reação atende pelo nome de Mozilla Firefox.

Parte 2

Como não poderia deixar de ser, as comunidades regidas pelos conceitos de software livre sempre entram numa "briga" com disposição para a vitória. Soma-se isso ao fato de que a Microsoft aparenta subestimar os usuários comuns da internet (um erro grave por sinal, afinal, são esses usuários que acabam sendo vítimas de todos os problemas dos softwares envolvidos) e tem-se um cenário completo de uma disputa que tende a se acirrar cada vez mais. Sim, porque ao contrário de um internauta comum, um usuário experiente (geralmente alguém que trabalha com computação) consegue se proteger de todas as ciladas encontradas na internet. Esse usuário é o que usa Linux, é o que instala e configura soluções de segurança em seu computador ou o que se dispõe a experimentar soluções alternativas de software. O usuário comum e que usa o Internet Explorer, está sujeito a constantes ameaças contra a segurança das informações em seu computador, uma vez que o navegador da Microsoft apresenta falhas críticas periodicamente. A questão é que esse usuário está se cansando de ser vítima, assim como está se cansando de ter que se preocupar com uma série de itens para poder navegar na internet. O Mozilla Firefox apareceu com uma solução para esses transtornos e de repente o mundo viu o Internet Explorer perder parte de seu domínio.

Ok, mas "vamos aos fatos", como diz a Microsoft. Vamos conhecer quem são os "personagens" envolvidos nessa história e algumas características que fazem do Mozilla Firefox a revolução que representa:

Mozilla Foundation: eis o "diretor da peça". trata-se de uma organização sem fins lucrativos criada em julho de 2003 com o objetivo de desenvolver e dar suporte ao navegador Mozilla e a outros softwares, como o cliente de e-mail Thunderbird e o editor de sites NVU. A Mozilla Foundation conta ou contou com o apoio de várias pessoas ao redor do mundo e de empresas como AOL, Red Hat, IBM, Sun e a brasileira UOL.

Logotipo da Mozilla FoundationMozilla: esse era o nome interno do navegador de internet Netscape. O nome é uma mistura de Mosaic (o antecessor do Netscape) com "killer" (assassino em inglês). O Netscape, que foi um dos mais usados browsers no início da popularização da internet, sucumbiu aos pés do Internet Explorer e aos seus próprios erros. Em 1998, boa parte do código-fonte do Netscape e de outros softwares relacionados (como o Netscape Mail) foi disponibilizado sob uma licença de código aberto. A partir daí, o software criado pelo uso desses códigos recebeu o nome de Mozilla. No entanto, o código do Netscape deixou de ser usado, pois o mesmo era complexo e havia uma série de problemas para que fosse possível o desenvolvimento do software para múltiplos sistemas operacionais. Diante disso, os desenvolvedores se empenharam no desenvolvimento de um conjunto de softwares para a internet que por fim, acabou tendo melhor desempenho que o pacote da Netscape. Até então a AOL era o mantenedor financeiro de todo o projeto, já que ela havia comprado a Netscape. Porém, em março de 2003, a empresa anunciou o fim definitivo da Netscape ao mesmo tempo em que divulgou o acordo com a Microsoft que permite o uso do Internet Explorer junto a seus produtos. Essa situação resultou na criação da Mozilla Foundation, que recebeu a missão de continuar o projeto. Como incentivo, a AOL doou 2 milhões de dólares à nova entidade. O pacote Mozilla, que inclui navegador, cliente de e-mail, editor de sites e cliente de IRC (para vários sistemas operacionais) se apóia em um conjunto de itens modularizados, como a biblioteca de interface XUL (XML-based User interface Language) e o mecanismo de renderização de páginas Gecko. Esses componentes podem ser aplicados de maneira independente e assim foi possível a outros softwares ((inclusive ao Mozilla Firefox) usarem essas tecnologias em suas implementações.

Logotipo do Mozilla FirefoxMozilla Firefox: esse é o protagonista da história. Trata-se de um projeto independente, mas também trabalhado pela fundação Mozilla e liderado por Blake Ross, estudante de computação da Universidade de Stanford. No total, mais de 30 mil pessoas participaram de seu desenvolvimento. Várias versões de teste foram lançadas antes da primeira versão oficial, a 1.0. Isso permitiu que funcionalidades fossem avaliadas e que cada vez mais pessoas conhecessem o projeto. O Mozilla Firefox é um navegador de internet seguro, com funcionalidades interessantes, multi-plataforma e leve. Seus recursos incluem: bloqueador de janelas pop-up, navegação em abas (onde é possível exibir várias páginas usando a mesma janela), pesquisa direta no Google, gerenciador eficiente de downloads, integração com utilitários de notícias em RSS (RDF Site Summary), foco em segurança e a possibilidade de incluir várias funcionalidades através de recursos de extensão.

Popularidade do Mozilla Firefox: ao contrário de outras iniciativas de software livre, como o Linux e o OpenOffice, o Mozilla Firefox tem caído nos braços dos usuários comuns da internet e não tem se restringido à pessoas com algum envolvimento na computação. No caso do Linux e do OpenOffice, a grande maioria de seus usuários são pessoas que trabalham no meio. O Firefox está conseguindo atingir "as massas" por uma série de razões, entre elas: campanhas em vários sites (inclusive aqui no InfoWester), boca-a-boca (uma pessoa testou e passou a idéia adiante por ter aprovado o navegador), divulgação na mídia, como matérias de revista e o anúncio no jornal New York Times (cujo custo foi cobrido graças a doações feitas por usuários e empresas), disponibilidade do software em vários idiomas (incluindo o português do Brasil) e execução rápida. À medida que o uso cresce, mais pessoas vão conhecendo o Firefox. Isso ocorre porque uma pessoa usa, constata que o navegador não fica devendo nada ao usado anteriormente, nota que ele é seguro e dá a notícia a colegas e amigos. Assim, muitos usuários de Windows vão descobrindo que o Internet Explorer não é o único meio de acesso a sites e muito menos é o melhor.

Segurança: há uma diferença entre desenvolver uma aplicação e depois considerar os aspectos de segurança e desenvolver uma aplicação considerando tais fatores. Desde seu início, as questões de segurança são consideradas no Firefox (na verdade, em todos os projetos da Mozilla Foundation). Só como exemplo, o Firefox não executa códigos em ActiveX e impede que vírus, spywares e outras pragas digitais contaminem o computador por esse meio. Como qualquer software, o Firefox também está sujeito a falhas em seu código (bugs). No entanto, essa questão é tratada com mais seriedade pelos seus desenvolvedores. Isso significa que tão logo um problema é descoberto, uma solução é providenciada imediatamente. Essa, aliás, é uma característica dos projetos de softwares livre. Além disso, estando o código-fonte do Firefox disponível a qualquer pessoa, erros são descobertos com mais velocidade e exatidão, pois um número grande de pessoas se dispõem a testar o software e a buscar problemas e soluções para os mesmos.

As extensões: um recurso muito interessante do Mozilla Firefox é o de Extensão. Trata-se de um tipo de aplicativo que pode ser facilmente acoplado ao Firefox. Assim, é possível fazer com que o navegador tenha infinitas funcionalidades. A cada dia, novas extensões são criadas e elas são classificadas em diversas categorias, como Chat, Blogging (recursos para blog), Configuração (permite configurações adicionais no Firefox), Games, Humor, Search Tools (ferramentas de busca), Security (ferramentas para segurança), entre outras.

Foto do Mozilla Firefox 1.0 para Windows

Foto do Mozilla Firefox 1.0 para Windows

Parte 3

O Mozilla Firefox é um programa formidável. Certamente há coisas nele que podem melhorar ou que não funcionam conforme o usuário esperava, afinal, não existe software perfeito. No entanto, como pode ser visto no decorrer deste artigo, razões para utilizar o Firefox não faltam. Se você ainda não o usa e está curioso, faça o teste. A versão para Windows tem quase 5 MB e as versões para Linux e Mac OS têm pouco mais que 8 MB. Um valor muito baixo, se comparado ao Internet Explorer, que sozinho tem pelo menos 25 MB. O Mozilla Firefox é, acima de tudo, um software que te respeita e que não o condiciona aos interesses de uma mega-corporação. Para muitos, usá-lo já é uma questão de bom senso. Sites "pró-Internet Explorer" que se cuidem. Ignorar usuários do Mozilla pode resultar na perda de uma expressiva quantidade de visitantes.

Site oficial da Mozilla Foundation - www.mozilla.org.

Site brasileiro do Mozilla Firefox - br.mozdev.org.

Emerson Alecrim, em 21/11/2004.

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