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Por Erika Sarti, em 13/04/2006.
Na maioria das profissões, arrumar um estágio e trabalhar
com profissionais experientes é a melhor maneira de começar.
Mas quando se trata da Web, isso nem sempre é possível -
fora das grandes cidades, é raro encontrar produtoras de sites
que aceitam estagiários, e a maioria dos escritórios é
auto-suficiente: um designer, um programador (às vezes o próprio
designer) e um representante comercial já são suficientes.
Por isso muitos profissionais optam pelo sistema freelance de trabalho:
montam um pequeno escritório em casa, às vezes até
dentro do próprio quarto, não precisam se preocupar com
horários e não têm que agüentar um chefe. Parece
o emprego perfeito, não é? Nem tanto.
Além de não ter todos os benefícios legais que uma
empresa oferece, a vida do freelancer é muito mais complicada
do que parece. Enquanto num emprego normal você tem estabilidade
e consegue se programar financeiramente, trabalhando como freelancer você
depende da quantidade de trabalhos que aparecem - e às vezes eles
simplesmente não surgem.
Outro inconveniente é que sai o chefe, entra o cliente. Sabe aquela
frase "o cliente sempre tem razão"? Aqui ela se aplica
totalmente. Se ele te pedir um site roxo de bolinhas amarelas, é
aqui que você vai precisar mostrar todo o seu jogo de cintura para
convencê-lo do que funciona e o que não funciona. Por isso,
ter um base teórica é essencial para argumentar.
E você sempre vai lidar com pessoas dos mais diversos tipos. Desde
aquele que te procura no sábado à noite pra um trabalho
até aquele que acha que você não tem mais nada pra
fazer além de trabalhar 24 horas seguidas para entregar um serviço
"pra amanhã". É difícil, mas manter a educação
e explicar pacientemente até onde você está disponível
sempre é a melhor alternativa. Estipule um horário para
trabalhar e deixe isso bem claro. Afinal, se você estivesse numa
empresa não estaria presente fora do horário de expediente.
Também não se esqueça que agora os gastos com luz, telefone, manutenção do computador, tinta para a impressora, papel, conexão banda larga e vários outros estão por sua conta. O valor que você recebe por um trabalho nunca é líquido, você teve várias despesas. E ainda precisa pensar num guarda-roupa apresentável para quando for visitar um cliente - pagando o transporte do próprio bolso. A coisa mais importante, financeiramente falando, é ter uma reserva para quando os trabalhos não aparecem.
A essa altura você pode estar se perguntando se vale mesmo à
pena ser freelancer. Depende. Se você realmente não consegue
se adaptar a horários fixos e não tem problemas com os altos
e baixos financeiros que podem surgir, compensa. Se você prefere
estabilidade e segurança, existem outras alternativas para trabalhar
com Web, ainda que mais raras em algumas partes do país.
Você também pode juntar os dois, trabalhar num emprego comum
em horário comercial e como freelancer nas horas vagas, mas dificilmente
conseguirá fazer bem feito no começo da carreira. É
preciso jogo de cintura, organização, e além dos
clientes que só podem ser visitados em horário comercial,
você ainda perderá seu tempo livre - que pode ser usado tanto
para descanso como para aprendizado. Nem todo mundo está disposto.
Enfim, a melhor maneira de descobrir é tentando. Conforme dito
na segunda coluna desta série,
existem muitos sites de empregos, se preferir procurar um. Neles você
poderá encontrar várias oportunidades de carreira e, quem
sabe, acumular experiência para iniciar uma vida de freelancer.
Boa sorte!
Erika Sarti é web designer e trabalha como free-lancer desde 2000. É a responsável pelo novo layout do InfoWester, basicamente feito com tableless, um de seus assuntos preferidos. Seu portfólio está em www.erikasarti.net.
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